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Cultura

Contra princesa “caridosa”, Brasil deixou de celebrar abolição oficial da escravatura

Público25 de maio de 2026 Ver notícia original

Resumo por IA

A historiadora Maria Helena Machado questiona a narrativa tradicional em torno da Lei Áurea, assinada pela Princesa Isabel a 13 de Maio de 1888. A investigadora defende que a abolição da escravatura no Brasil foi, na verdade, conquistada pelos próprios escravizados.

A Lei Áurea é vista por Machado como uma formalização legal de um processo que já estava socialmente consumado. A legislação teria servido para legitimar um fim que os próprios escravos já tinham forçado através da sua resistência.

A figura da Princesa Isabel, frequentemente celebrada como heroína abolicionista, é colocada em causa por esta interpretação histórica. A imagem de uma princesa "caridosa" ofusca o papel central dos escravizados na luta pela sua própria liberdade.

O Brasil optou por não tornar o 13 de Maio num feriado nacional de celebração da abolição, numa decisão que reflecte as tensões em torno desta narrativa histórica. Este facto evidencia o desconforto colectivo em celebrar uma data associada à coroa em detrimento dos verdadeiros protagonistas.

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